Reconhecimento da manipulação pelo agressor do sistema jurídico francês

Os agressores aplicam estratégias comuns para desacreditar as suas vítimas e, muitas vezes, utilizam o sistema jurídico para continuar o seu abuso. No entanto, os juízes, a polícia, os meios de comunicação social e a sociedade, todos começam a reconhecer estas táticas e padrões de comportamento manipuladores.

Verificado pela Assoc. Prof. Andreea Gruev-Vintila em 03/03/2022

A estratégia

Uma estratégia comum usada pelos autores de violência doméstica é conhecida como "DARVO", um acrónimo inglês que se refere a negar, atacar e inverter os papéis da vítima e do ofensor.

Estas estratégias são muitas vezes levadas a cabo com a ajuda de apoiantes do agressor que também foram manipulados por este para pensar que estão a fazer o que é correto.

Os agressores negam que o abuso alguma vez ocorrido, atacam a credibilidade de qualquer pessoa que os tenha denunciado e afirmam que são vítimas reais na situação.

Estas estratégias são usadas em privado, em público e regularmente em processos judiciais.

Recusam o abuso

As investigações e as estatísticas mostram que as falsas acusações de violência doméstica por parte das mulheres são muito pouco frequentes. No entanto, na maioria dos casos, os agressores dirão que as alegações da sobrevivente não são verdadeiras.

Alegações comuns de defesa do agressor: 

  • ela está a mentir para obter a guarda total dos nossos filhos
  • ela está a mentir para obter um ganho financeiro
  • ela está a mentir para se vingar
  • ela está a mentir para conseguir documentos de imigração
  • ela é louca/tem um problema de saúde mental grave.

Os especialistas em violência doméstica sabem que estas afirmações não têm fundamento na realidade, mas continuam a ser usadas pelos agressores e pelos seus advogados numa tentativa de ganhar o processo.

O que posso fazer?

  • Confie na sua memória do abuso.
  • Anote os incidentes de violência, abuso e o comportamento de controlo dele, logo que possível.
  • Reúna o máximo possível de provas e de testemunhas.

Atacam a pessoa que denuncia a violência

É muito comum que os agressores tentem desacreditar e intimidar qualquer pessoa que denuncie o seu abuso, seja a sobrevivente, os seus filhos ou uma testemunha.

Estas estratégias de difamação incluirão normalmente:

  • divulgar informações falsas e prejudiciais sobre a sobrevivente e/ou a pessoa que denuncia a violência
  • fazer alegações falsas de abuso de substâncias ou de problemas de saúde mental graves contra a sobrevivente
  • usar o tratamento de saúde mental da sobrevivente para invocar que esta é incapaz de exercer o poder parental
  • intentar processos judiciais com base em fundamentos falsos como forma de assédio
  • cometer crimes, como fraude, em nome da vítima/sobrevivente
  • ameaçar a vítima/sobrevivente com qualquer das situações acima referidas.

O que posso fazer?

  • Reconhecer que está a sofrer violência doméstica continuada, conhecida como violência pós-separação, e procurar apoio.
  • Tente não se sentir culpada, embaraçada ou envergonhada. É ele que está errado, não você.
  • Pense nas provas que pode utilizar para rebater qualquer alegação falsa.

Invertem os papéis de Vítima e Agressor

As estatísticas demonstram que as mulheres raramente são autoras de violência doméstica. As investigações mostram que, quando as mulheres usam um comportamento violento, geralmente é para resistir ou sobreviver ao controlo coercivo e à violência. No entanto, os agressores muitas vezes fazem acusações falsas sobre as suas vítimas femininas.

Felizmente, as autoridades começam a reconhecer e a compreender este comportamento do agressor.

Estas estratégias incluirão normalmente:

  • apresentar alegações falsas sobre o sobrevivente à polícia ou aos serviços de proteção de menores
  • acusar o sobrevivente de "alienação parental" por tentar proteger as crianças
  • fingir que é a vítima e alegar que o sobrevivente é o agressor.

O que posso fazer?

  • Tente não se sentir culpada, embaraçada ou envergonhada. É ele que está errado, não você.
  • Tente não se sentir demasiado ansiosa. As autoridades são legalmente obrigadas a investigar todas as acusações, mas começam a reconhecer também esta estratégia comum do agressor.
  • Pense em qualquer prova que possa utilizar para contestar falsas queixas e/ou mostrar às autoridades para demonstrar o padrão de comportamento abusivo e violento dele.

Embora tenha havido o máximo cuidado para lhe apresentar as informações mais exatas e atualizadas, esta página não se destina a substituir aconselhamento jurídico ou profissional. As leis e os procedimentos mudam regularmente, pelo que é importante consultar profissionais qualificados.

Para intervenção policial:

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